Plantei-me em teus olhos risonhos.
Olhos cujo encanto me tornou risonho também.
...tempestade anunciada.
Raios Fúlgidos!
E eu fujo também.
Gutierrez Del`Amar
Plantei-me em teus olhos risonhos.
Olhos cujo encanto me tornou risonho também.
...tempestade anunciada.
Raios Fúlgidos!
E eu fujo também.
Gutierrez Del`Amar
Se porventura me tocares de dia e eu não me abrir, certamente me faltou o raio solar de teus olhos.
Me abro não quando me tocas, mas quando me olhas...
Teu toque sem o teu olhar, é cego.
Toque cego, não ver.
Me olhas e me tocas e então saberei que é a mim que tocas.
Se me tocas e não me olhas será como se tocares qualquer um.
Se sou qualquer um, por favor, não me toques.
Se me tocas como a qualquer um, então teus olhos não são meus.
Se teus olhos não são meus, do que me vale o teu toque?
Gutierrez Del`Amar
Ela começo cedo...
O rasgo no estomago e o intenso grunhido, manifestava fome.
Tirou a linha fina de sua teia sobre si.
Trocou de roupa e desceu.
Ainda o Sol não havia nascido e lá estava ela: dançando sobre os seus fios.
Teia.
De olhar carente, fingia ser adulta, mas era a sua primeira experiência.
Faminta (...) a fome da juventude não escolhe o que comer.
As linhas finas de sua teia ainda destilavam um óleo viscoso...
...derreteu devido o fogo de suas entranhas.
Desenhou uma casa com pequenas aberturas, o suficiente para dar uma falsa esperança a sua vitima.
Agora ela descansa no canto.
Quase imperceptível, ela só respira o ar que lhe é necessário.
A mosca ziguezagueando em sua dança inocente, sem saber, flertou com a teia.
Seus olhos, escuros e brilhantes eram a teia.
A mosca, grudada na teia de seus olhos (Inútil tentar fugir), adormeceu sem saber que estava sendo sugada.
Agora, satisfeita, ela se encosta ao lado, indefesa, esperando também, ser devorada.
Gutierrez Del` Amar
...e eu me assentava ao piano para tocar e você assentava-se ao lado para olhar.
Eu não sei qual a música mais bela era tocada: a que saia do som do piano ou a
que saia dos teus olhos.
Gutierrez Del`Amar
Quando o para sempre for em fim um único dia...
Quando sarar a ferida.
...quando parar de doer.
Quando eu aprender a não lembrar.
Quando eu desaprender os caminhos da memória.
Quando o coração parar de quebrar e em fim se tornar pedaços definitivos.
...sim, leva tempo.
Mas depois, sim, depois (...) Te esquecerei para depois lembrar-te juntando os pedaços.
...e, teimosamente, colocarei o coração no lugar para que seja quebrado novamente.
Gutierrez Del`Amar
Verbo Transitivo direto...
O amor é de propor.
O perfume, não o odor.
O abraço, não o soco.
Ser cheio, não oco.
...o livro solto.
A ilusão é mesmo um mausoléu (...)
Gutierrez Del`Amar
Se queres dar-me alguma coisa, não me tires nada.
Nem o sorriso triste e nem o olhar distante.
Nem a guerra em meus pensamentos e nem a Paz que em mim é abundante.
Nem a flor do jardim e nem o amor que há em mim.
Nem o grito e nem o silêncio.
Nem o espaço cheio e nem o vazio a quem pertenço.
Nem a ferocidade no amar e nem o desejo de me afastar.
Se queres dar-me alguma coisa, não me tires nada.
Nem minha timidez e nem meu jeito cortês.
Nem o brilho do Sol e nem a luz da lua.
Nem tua voz suave e nem tua pele nua.
Nem a estrada do encontro e nem a gota da chuva.
Nem tuas curvas certinhas e nem a tua mão da minha.
Se queres dar-me alguma coisa, não me tires nada.
Nem a intenção de te querer e nem a saudade que sinto de você.
Nem o beijo no sonho e nem a história que eu conto.
Nem a poesia que escrevo e nem o rosto no espelho.
Nem a musica errante e nem o sentimento deste instante.
Gutierrez D`Amar
Um dia acusar-nos-ão de sermos um abismo.
O nosso amor virou rede.
Rede Balançada pelo vento do cheiro do seu perfume, em uma extremidade a outra, na boca (...) boca do abismo.
Boca, abismo e Céu aberto.
Talvez assim sejamos engolidos pelo brilho das Estrelas e desapareçamos!
Pronto.
Acalmou tudo.
Não há mais abismos.
Sim.
Acalmou tudo.
Resta apenas aquele olhar que insiste em fitar o abismo engolido pelo brilho das Estrelas.
Gutierrez Del`Amar
O fruto...
Furto.
Fortuito.
Pendura.
Pendurado.
os olhos esbugalhados.
O olhar petrificado.
O sorriso esboçado.
Madura.
Matura.
Pegado.
Espera o dia...
Esperado.
Não é sábio colher verde.
...é pegar adiantado.
A pressa...
A reza.
A foice que não cessa.
...e a mangueira que não é capenga, não encrenca.
...decide a quem vai amadurecer.
O tempo é assim:
faz nascer o amor como no inicio quando os outros acreditam que é o fim.
Gutierrez del`Amar
Abraço.
Do amor ao laço.
Da inocência, morreu o sonho.
Pequeno gesto, tornou-se tristonho.
O caminho do aconchego, virou desespero.
O medo.
A foice gélida da morte.
...não é sábio carregar a flor, quando as pétalas já murcharam.
Gutierrez D`Amar
De tanto amor, doeu.
De tanto doer, amou.
De tanto beijo, o gozo.
De tanto gozo, ardor.
De tanta brisa, o orvalho.
De tanto orvalho, a cor.
De tanta certeza, a dúvida.
De tanta dúvida, labor.
De tanto riso, o choro.
De tanto choro, andou.
De tanto andar, achou.
De tanto achar, guardou.
Gutierrez Del`Amar
... e hoje que a tarde é tão curta.
As horas não duram e tudo é tão surdo.
...tua mão é tão leve.
O teu corpo é tão sério.
...e no teu rosto há uma brasa acessa de amor.
Fugiste.
Não sabia que aquela rua estreita de cara para a lua (...)
A rua que nunca mais vi.
Descia e subia dobrando aquela curva até que uma chuva tirou-te de mim.
Chove até hoje.
Da varanda te teu sorriso, eu via o mar.
Ali, nos cabelos enrolados em teu pescoço, eu dormia acordado.
O sofá quente (...) corpo suado.
Era para ser de verdade...
A escada, o calçado a bondade.
... pendurado na janela do teu quarto que não tinha janela alguma, eu lhe via dormir.
O erro foi não segurar o sorriso para não fugir (...)
Hoje a lágrima que nunca chorei, insisti em cair.
Gutierrez Del`Amar
...e eu te chamo do que eu quiser chamar.
És meteoro que passa rente a terra sacudindo os andas do mar.
O reflexo do Sol, no rosto da lua.
É pluma.
Advérbio de tempo.
Quando?
É curva solta.
É a dor que arrebenta as cordas do meu coração.
Me desafina.
Você é cheiro de mato molhado.
É orvalho que embaça o para-brisa dos meus olhos.
É meu desatino.
É meu caminho bifurcado.
...meu cheiro de mar.
Meu eterno agora.
Você é poeira de estrela que se transforma em galáxia.
É frágil como uma lágrima.
É extravagante como uma gargalhada.
Veja o momento (...)
Foi embora.
Sente-se...
Coloque a musica ao fundo.
Vá ao portão e pegue aquela carta que eu deixei em forma de flor.
...e depois acolhe-me.
Me coloca para dentro e me põe no espelho do teu quarto.
...depois deita.
Olha diretamente no reflexo daquele espelho e nunca esqueça:
Você sou eu.
Gutierrez Del'Ama
O tempo é navalha que vaza o olhar.
Mesmo sem ver, vê.
Mesmo sem sentir, sente.
Mesmo sem tocar, toca.
Mesmo sem ir, está.
O tempo é navalha que vaza o olhar.
Não se vai em busca daquilo que está apegado aos olhos.
Não se expulsa da mente a canção.
O coração é quarto vazado.
O vento lembra que tudo é passageiro.
Mas o cheiro penetra nas narinas contagiando tudo.
A fumaça logo se desfaz.
Mas quem pode aplacar o fogo do beijo?
O tempo é navalha que vaza o olhar.
Abrir e fechar os olhos levam apenas milésimos de segundos.
...lembranças são eternas.
Travei uma guerra na fronteira da loucura:
em mim há pedaços teus.
Como posso mandar embora a mim mesmo?
...e se abrir com um facho de luz, uma porta, naquela densa nuvem, então vou chover em teu quarto.
O tempo é navalha que vaza o olhar.
Estou cego, de tanto lhe ver.
Gutierrez Del`Amar
Entenda quem puder.
Quem não puder não queira.
Trace um risco.
Veja o sentido.
Deixe de besteira.
Não vês que o que escrevo está no limite.
Na Fronteira?
Subindo na árvore e nadando na ribanceira.
Erótico é conceito meta-corporal e não apenas genital.
Olhos são eróticos.
Narizes são eróticos.
Boca é "erótico".
Mãos são eróticas.
pernas são eróticas.
Pés são eróticos.
O corpo é toco.
toque.
Vista.
Olhar.
O corpo é tato.
solavanco.
Branco do mais puro que há.
Contato.
Trato entre o beliscão e a interjeição.
O corpo é sagrado.
Não pode ser bagunçado, desordenado, cortado.
Suado (...) orvalho cantado.
Primeira porta dos sentidos.
Amigo do dilema.
O corpo é escada das percepções.
Alteração do cheiro.
degustação do beijo.
...e por fim, dormir.
Gutierrez Del`Amar
Poderia eu construir um ninho em teus olhos e dormi?
Ouviria tuas canções de amor nas cordas do teu sorriso?
Escolheria tuas mãos ao entrar no mar.
Sou de ser (...) não encontro outro forma de existir.
Isso nada mais é senão (...) cor (...) cheiro imenso (...) mar (...) estrada onde viestes me pegar.
Agora, quase chego a clamar, por um outro dia (...) naquela mesa de plástico, na sala de estar.
Gutierrez Del`Amar
As pétalas das rosas jogadas ao chão...
As canções em flor...
desabrocham.
O amor é mesmo excepcional.
crava o sorriso.
O umbigo em taça de vinho.
O deslizar das mãos.
O espelho.
avesso.
O verso enganchado na língua.
As mãos que nunca se soltam.
O vácuo...
No espaço do tempo cabe a saudade.
A Noite é fria...
Quente é o toque dos teus dedos.
Nos meus sonhos você caminha nas nuvens (...) que bom! Vai chover gotas de inocência.
Sempre vi uma grade em teus olhos...
Grades espaçosas para voo.
...pássaros que amam sempre voltam aos galhos verdes da ternura.
O ninho é macio.
Sempre foi.
Andava perdido o beija flor (...) parou diante de mim, sorrio e se foi.
Correio dos sentimentos puros.
A Noite caiu uma lágrima...
No café molhei meu pão.
Naquele quarto bagunçado, perdi meu coração.
Gutierrez Del`Amar
Flor de laranjeira.
Ligeira como o pôr do sol.
O suspiro baixo do canto alto do rouxinol.
Eu sabia.
Tua voz pavimenta meu coração andarilho.
Eu ainda sorrio, dos sorrisos gracejos.
Dos beijos que andam a estalar.
...e a mão suave sobre a escrivaninha, desenhando aquela cartinha que insiste em se ocultar?
Aos poucos se apaga da memória, aquilo que os olhos não mais alcançam.
Mas lembrança não é quadro pichado.
Quadro pintado (...)
... com tinta a-mel-lorado (...)
Quem esquece o amor que foi amado?!
Nunca mais vai ser falado.
O que falado falou, foi encantado.
Fixou no tempo.
eternizou.
...e tudo começou com o cheiro.
Meus olhos cheiraram os teus.
Depois nos olhamos com os lábios.
...e depois, tua imagem cravada em meus pensamentos.
Há uma contradição nítida na forma como você anda: está indo e paradoxalmente, voltando.
Tuas palavras tem gosto de poesia.
Tuas mãos lisas, percorrem a mesa em direção a minha.
No entanto, os pés por baixo da mesa, já se tocaram.
Sempre gostei de brilho...
...e esse sorriso desavergonhado que tu tens?!
...in-louquecida.
(põe na minha conta o erro de português)
Sou Freguês das tuas tranças!
Me lembro do espelho que quando sobre mim, danças...
Teu rosto é um arco - íris.
...e aquele fim de tarde que nunca tardou?
Porque você apareceu, como uma passarinho em minha janela e cantou?
...se não iria ficar?
Gutierrez Del`Amar
Meus olhos tem sede de beleza.
Não gosto de espertezas...
Beleza combina com misturas:
O Sol suave...
A brisa que nasce.
A Lua no inicio do sono.
A voz, doce, da pequena.
A canção aconchegada ao peito, quando esquenta.
A fala verdadeira.
A planta trepadeira.
A manga rosa no galho da mangueira.
O sorriso da criança.
A critica com temperança.
A verdade que nunca cansa.
A brincadeira de se esconder.
O beijo que ao coração, faz amolecer.
A vontade de quem quer viver.
Pôr do Sol que vai descendo.
A areia na montanha que desenha quando sai correndo.
O pássaro que voa sem medo.
O colo que sempre traz sossego.
A fruta, pintada por Deus, de vermelho.
Meus olhos tem sede de beleza.
O rabisco de um poema.
O mar agitado quando se assenta.
A frase que se sustenta.
O riso espontâneo.
O pobre que o pão, sai compartilhando.
O silêncio que tudo fala.
A voz justa que nunca cala.
...e o amor que tudo sara.
Gutiéreez Del ´Amar