Quero o vento que soprou.
Quero o traço da lembrança.
Quero o rosto de criança que via no espelho.
Quero inteiro.
Nem que seja o derradeiro pôr do Sol.
O nós.
Quero a lembrança.
A dança desengonçada.
Quero a gargalhada mais solta.
Quero a boca seca desejosa de água.
Quero a fome da ausência do teu abraço.
Quero espelhado aquele traço de flor.
Quero a cor dos teus olhos e o teu sorriso de Céu.
Quero a fervura do teu corpo.
O toque do teu cheiro.
Quero o inverso do verso do teu beijo.
Quero o brinquedo da praça.
A graça de te ver voar.
Quero o esconderijo para te encontrar e lá te perder de novo...
Quero o ciclo.
O viço exuberante da tua voz.
Quero o substantivo para a forma como andas.
Quero o adjetivo que enlouqueceu.
Quero a flor que nasce na tua montanha.
Quero o cansaço e o suor até colhê-la.
Quero a canção que se foi só para chorar.
Quero a lágrima da solidão.
Quero o coração partido.
Quero a dor da despedida para lembrar...
Quero o teu colo para deitar e só se levantar se for para deitar nele de novo.
Eu quero a dor do grito para que depois o silêncio não me cobre nada.
Gutierrez Del`Amar
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